Conferência 2017 “Nova Ruralidade- Reviver o Campo de Forma Biológica”

27 – 28 de outubro de 2017 Idanha-a-Nova, Portugal

No seguimento da iniciativa de sucesso da Living Seeds-Sementes Vivas em 2016 na conferência internacional de dois dias sobre agricultura biodinâmica – “Agricultura com um Futuro – Hoje!” – numa zona rural de Portugal, Idanha-a-Nova, a 2ª conferência “Nova Ruralidade – Reviver o campo de forma biológica” recebeu novamente mais de 200 participantes e com oradores vindos de Portugal, Alemanha, Suíça, Nepal, México, Espanha, França, Inglaterra e Roménia.

Durante dois dias, os participantes discutiram e trabalharam temas relacionados com o tema como reviver o interior. Nos diversos grupos de trabalho foram abordados os desafios para atrair pessoas, especialmente os jovens, das cidades para as áreas rurais.

Antes de mais, agradecemos a todos aos que contribuíram para estes dois dias inspiradores e de sucesso: participantes, palestrantes, patrocinadores, amigos, familiares e muitos mais … E o nosso bem-haja sincero pelo apoio da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a cedência do espaço do Centro Cultural Raiano, onde o evento teve lugar. Dirigimos um agradecimento especial a Johannes Pfister do ThinkCamp, Alemanha, que foi incansável no seu apoio na organização da conferência.

Esperamos que todos tenham gostado da experiência e contamos consigo para a terceira edição da conferência em Idanha-a Nova, que já está agendada para outubro de 2018. Com base nas experiências dos últimos dois anos, estamos muito entusiasmados e motivados para melhorar e torná-la ainda mais dinâmica e enriquecedora!

Estamos muito satisfeitos em poder partilhar convosco resumos e alguns dos momentos extraordinários passados no evento. Nesta página encontrará vídeos, fotos, apresentações e outros materiais da conferência prontos para serem visualizados e transferidos.

A Conferência

O ponto principal abordado na conferência foi: sem pessoas o campo não é habitável. Precisamos de pessoas, em especial dos jovens, que possam cuidar da terra, protegê-la contra os incêndios e erosão do solo, preservar e recuperar a biodiversidade, produzir alimentos saudáveis e criar comunidades sociais viáveis. Para se conseguir uma Nova Ruralidade as regiões rurais precisam de providenciar habitação adequada, instalações culturais, escolas que incluam oportunidades rurais nos seus currículos, atendimento médico, oferecendo também medicina alternativa, centros de pesquisa e investigação e apoio de especialistas internacionais. A proposta de uma Nova Ruralidade não é dar um passo atrás no tempo, uma saudade melancólica de tempos pastorais antigos, mas sim uma nova visão imanente para reviver o campo através da inovação social e iniciativas locais com jovens empreendedores.

Na conferência internacional de dois dias intitulada “Nova Ruralidade – Reviver o campo de forma biológica”, vários especialistas apresentaram exemplos de iniciativas rurais praticadas nos seus países, uma amostra de experiências e modelos que servem de inspiração e para serem adotadas por qualquer cidade rural e vila.

Samson Hart, Schumacher College, Devon, Reino Unido, apresentou um modelo de processo de tomada de decisão através do método Os Três Horizontes (sonho, presente e futuro). Rob Hopkins, Devon, Reino Unido partilhou a sua experiência em vários projetos de cidades de transição pelo mundo. Patrick Honauer, Suíça, em conjunto com Tulsi Giri, Nepal e Fernando Casillas, México, ilustraram as suas experiências na criação de redes locais de distribuição de alimentos que cobrem o ciclo de valor completo desde as sementes, da agricultura biológica, restaurantes e lojas bem com a troca de conhecimentos entre diferentes redes em todo o mundo, desde o produtor diretamente aos consumidores. Carmen Garcia, presidente da Fundação Tomillo, Espanha, apresentou o seu programa sobre capacitação de jovens no interior da Extremadura. Traian Bruma, Roménia, explicou seu sucesso na criação de universidades alternativas, baseando-se da necessidade dos alunos em experienciar formas informais aprendizagem. Miguel Almeida, Portugal, explicou a sua iniciativa de criar múltiplas cooperativas regionais de financiamento para dotar os jovens agricultores com um capital inicial, envolvendo a população local para cuidarem dos campos com pequenos apoios financeiros.David Taupiac, presidente de St. Clar, França, ofereceu seu apoio, com base na sua experiência pessoal, em criar atividades como troca de sementes e desenvolvimento de estratégias de cooperação entre aldeias e cidades. Julian Perdrigeat, Loos-en-Goelle, França, explicou como sua cidade mudou de uma cidade mineira com uma grande taxa de desemprego devido ao encerramento de minas para uma cidade com empregos com sustentabilidade e criação de valor através da colaboração com competências complementares. Maxime de Rostolan, da organização francesa de Fermes d’Avenir, mostrou as suas atividades criando uma rede de agricultores em toda a França.

E, finalmente, Ana Rita Camará, Portugal, liderou uma conversa vibrante sobre o seu envolvimento pessoal com o desenvolvimento da sua aldeia e o programa educacional europeu na sua cidade natal a Vila do Marmeleiro.

Paulo Longo, diretor do Centro Cultural Raiano em Idanha-a-Nova, apresentou o caso Idanha com o seu programa Recomeçar, dos programas culturais inseridos no contexto da​ rede das​ Cidades ​C​riativas da ​M​úsica da UNESCO e conferências internacionais, do seu centro documental de agricultura biológica e medicina natural. Idanha-a-Nova disponibilizou 560 hectares de campos para a agricultura biológica​ e tem projetos de sucesso de vários jovens agricultores e empresas como a Aromas do Valado, Nature Fields, Padaria Gaspar e a Living Seeds Sementes Vivas, empresa de sementes biodinâmicas, fundada há dois anos e que conta já com mais de 25 colaboradores. O Presidente da Câmara Municipal Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto e o Secretário de Estado Português para as florestas e do desenvolvimento rural, Miguel Freitas, destacaram nos seus discursos os desafios regionais e nacionais de como criar fundos para apoiar a inovação de agricultores locais e iniciativas rurais.

Um momento especial do evento foi a exibição de um documentário sobre Manuel Maneira (80), escritor português e agricultor biológico, que vive perto de Marvão e que contou a história de sua mudança de vida da cidade para o campo. Da comida de plástico para a nutrição macrobiótica, de ser um consumidor passivo para se tornar um agricultor biológico, cultivar alimentos saudáveis, abrandar e aceitar um padrão de vida mais modesto desfrutando a presença e encontros com inúmeros convidados que vêm até ele para o ver, conhecer e falar.

A conferência encerrou com um destaque: um momento de silêncio e de conciêncialização pela plateia ansiando pela vinda da chuva, preparando o ambiente para a atuação de Mariana Root, Portugal, que nos apresentou um extraordinário e encantador concerto  solo, tocando uma mistura de melodias inspiradas por canções tradicionais portuguesas e indígenas, originárias da América do Sul.

O programa geral de eventos da Living Seeds – Sementes Vivas 2018 será publicado no início do próximo ano e informá-lo-emos regularmente sobre os próximos eventos através da nossa newsletter e das redes sociais. Siga-nos no Facebook, Instagram e Twitter.

A Equipa Living Seeds Sementes Vivas está desejosa de o voltar a receber nas nossas atividades, workshops e na 3ª conferência anual de outubro de 2018!

PROGRAMA_PT_Nova Ruralidade

Apresentações da Conferência

Vídeos da Conferência

Galeria de Fotografias